quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Colocando a Mão no Peito

Por Matheus Viana
     O sugestivo título do texto que você lê não se refere ao ato que antecede a execução de um hino nacional. Após pegar a serpente pela cauda e vê-la se transformando em vara novamente, Moisés ouviu o seguinte comando: “Agora, coloque a mão no peito”. (Êxodo 4:6). Mão simboliza a ação demandada pelo propósito de Deus a nós. Peito fala de nossa verdadeira intenção, por mais oculta que seja.

As Escrituras não revelam o intento de Moisés. Mas o que aconteceu com ele nos dá uma evidência. “Moisés obedeceu e, quando a retirou, ela estava leprosa”. (Êxodo 4:6). Lepra na Bíblia simboliza o pecado. Sua mão ficou leprosa em detrimento de ter contato com seu peito. Ou seja, para Deus, se a intenção for errada, toda ação, por mais nobre que pareça ou benéfica que seja, estará comprometida.

Antes de agirmos, temos que entrar em contato com nosso interior. Não se trata de regressão ou qualquer outra terapia holística. Mas, de examinarmos a nós mesmos conforme Paulo nos exorta (I Coríntios 11:28). Deus ordenou Moisés a colocar a mão leprosa – que revelou seu intento impuro no peito novamente. Ele obedeceu. Quando tirou, ela estava totalmente purificada. Processo concluído. Mas, ainda restava um elemento exterior a ser considerado: a incredulidade do povo.

Sejamos sinceros! A receptividade dos indivíduos alvos de nossa pregação nos assusta. Por vezes, arrefece a nossa fé. A dureza do coração humano em relação ao Evangelho de Cristo nos desanima de trilhar a carreira que nos foi proposta. Com Moisés não foi diferente. E Deus era ciente disto. (Êxodo 4:9).

Jesus disse que se crêssemos Nele, como diz as Escrituras, de nosso interior fluiriam rios de águas vivas (Evangelho segundo João 7:38). Essas águas são a Palavra de Deus que nos purifica (Evangelho segundo João 15:3). Quando Jesus expirou na cruz, seu lado foi perfurado com uma lança por um soldado romano. Daquele ferimento saiu sangue e água (Evangelho segundo João 19:34). Ambos elementos foram derramados na terra seca da incredulidade da maioria dos que assistiram o espetáculo de brutalidade e horror que propiciou salvação para os que crerem nele.

Repousa sobre nós o mesmo chamado de Deus a Moisés: liberar as águas do Evangelho de Cristo a fim de que, em contato com a terra seca do coração humano, sejam transformadas no sangue de Sua vida (Evangelho segundo João 6:53). Pois somente este ‘sangue’ traz libertação aos

cativos (8:36), independente do cativeiro que os subjuguem.

O Senhor Espera

Por Márcia F. B. Santos
     “Por isso, o Senhor espera, para ter misericórdia de vós, e se detém, para se compadecer de vós, porque o Senhor é Deus de justiça; bem-aventurados todos os que nele esperam.” Isaías 30.18

Esperar não é fácil. Desde pequenos precisamos aprender que nem tudo pode acontecer no momento em que queremos. Entretanto, parece que cada vez fica mais difícil esperar. Na era digital tudo é instantâneo, rápido, e, quando precisamos esperar por alguma coisa, geralmente ficamos agitados ou nervosos.

Esses sentimentos se refletem no nosso relacionamento com Deus. Ficamos ansiosos quando algo que pedimos ao Senhor demora a acontecer. Achamos que Deus está demorando a nos responder.

Esse verso nos mostra o outro lado da espera – quem espera é o Senhor! E por quê? O texto continua: O Senhor espera para ter misericórdia de nós, para se compadecer de nós. É como se Ele desse uma pausa, esperando que fiquemos atentos, que voltemos nossos olhos em sua direção e que assim, com a nossa atenção nele, Ele possa agir com justiça e nos abençoar.

Então, da próxima vez em que pensarmos que estamos esperando Deus agir, vamos lembrar que o Senhor também espera por nós e que bem-aventurados são os que nele esperam.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Cansaço

Por Jonatas Toledo
     “Vinde a mim todos que estais CANSADOS…”, o resto da história você já conhece. O que tenho percebido na igreja dos últimos tempos é um ar de cansaço. Cansados das decepções, frustrações, dos escândalos, das teologias, das buscas por respostas e alguns até mesmo da vida cristã. As fontes do cansaço na minha concepção são: pecado e emoções não trabalhadas, pois podemos perceber que o cansado buscará fugas de alívio e refrigério e com essa busca vem também algumas mudanças como: - O cansado negocia valores (teologia liberal), o cansado não tem perspectiva futura (teologia racionalista), o cansado não enxerga os outros (teologia da prosperidade), o cansado segue seus próprios propósitos (teologia do coaching).

Essas fugas acrescentam poder as emoções conflitantes não saradas dentro de nós o que resulta em: relacionamentos frágeis, respostas ásperas e atravessadas, discursos prontos, culpa projetada e responsabilidades evitadas (fugimos de qualquer coisa que exija nossa responsabilidade e parcela de engajamento).

Se esse cansaço provém de emoções não tratadas certo estou de que houve sofrimento, a respeito disso menciono: “Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro” Rm. 8:36. Podemos afirmar que o sofrimento nos levará a Cristo, as emoções não tratadas que resultam em cansaço servem para redescobrirmos a Deus e seu fardo leve que com o tempo vai tornando-se pesado em nossa caminhada por causa da religião.

Quem vai a Deus por amor a Jesus torna-se um testemunho do poder transformador e curador do evangelho. Tem muita gente cansada na igreja brasileira, tem muita gente cansada fora dela também, acredito que a cura está nesses versos batidos e recorrentes de Mateus. Voltemos aos pés de Jesus e deixemos o bom pastor nos conduzir aos pastos verdejantes e as águas de descanso, o refrigério está em encontrarmos a Cristo novamente nessa babel toda falando em nome de Deus.

Que o Senhor nos dê graça, nos ensine e nos conduza como precioso rebanho.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Pela Fé

Por Fernando Coêlho Costa
     Não é mais um artigo sobre os preços exorbitantes que os artistas gospel cobram para cantar em um palco. Vou tocar no assunto do comércio cristão de valores e princípios, inclusive os meus valores e princípios, bem como os seus também.

Em Filipenses 3.7, o apóstolo Paulo diz “o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo”. Paulo estava falando de valores espirituais que ele tinha, tais como ser circuncidado, ser da tribo de Benjamim, fazer parte do seleto grupo de fariseus e liderar uma caçada contra os cristãos. Para ele, tudo isso era importante, até conhecer a Jesus Cristo.

Tenho visto cristãos que defendem valores e princípios com um desespero impressionante. Pior ainda, valores políticos, econômicos, sociais, intelectuais e religiosos. Tais valores são importantes, sem dúvida. Mas quando se conhece a Cristo, todas as coisas se tornam novas. Sim, TODAS as coisas. TODAS. Para ficar bem claro.

Paulo passou a considerar perda aquilo que antes era lucro. Ele não manteve seus valores e princípios. Alguns versículos adiante, ele diz que as coisas que antes eram lucro, ele passou a considerar como cocô. É um comércio que vai totalmente contra o que dizem as teorias econômicas.

O desafio que o Espírito Santo me deu ao ler este texto é detectar coisas que eu considerava preciosas e lucrativas antes de conhecer a Cristo; submetê-las à soberania de Jesus para tornar tudo novo; e considerar tudo como perda por amor a Cristo. É um exercício constante e difícil. É uma jornada longa e cansativa. Mas é algo que precisamos fazer, implica no reconhecimento de que tudo que somos e temos foi conquistado por Cristo. Nada é nosso mérito. Se há algo bom, útil, honroso ou mesmo extraordinário, tudo foi Ele, Dele e para Ele. O lucro e o mérito não me pertencem.