quarta-feira, 26 de abril de 2017

Frutos de Arrependimento

Por Matheus Viana

     A mensagem de João, o batista, era clara e sucinta: “Deem frutos dignos de arrependimento.” (Evangelho segundo Mateus 3:8). O apostolo Paulo preconizou no mesmo mote: “A tristeza segundo Deus não traz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação...” (II Coríntios 7:10). Não há conversão sem arrependimento. Questão de causa e efeito.

Presenciamos, há décadas, um evidente crescimento demográfico de cristãos. Mas, ao contrário de outros momentos da história, ele não tem gerado os efeitos devidos e esperados. O motivo? Não haver um verdadeiro processo de arrependimento. Este, por sua vez, não ocorre porque o Evangelho de Cristo não tem sido disseminado.

Os que se dirigiam até as margens do Jordão para ouvirem e serem batizados por João conheciam a Lei dada por Deus através de Moisés, mas não a praticavam de acordo com a Sua vontade. Logo, tal observância não passava de ritualismo frívolo. Foi então que Deus, através de João, declara: “Quero que vocês demonstrem, com suas atitudes, o quanto estão arrependidos.” Qualquer ação destoante deve ser rechaçada: “O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.” (Evangelho segundo Mateus 3:10).

O discurso de Jesus tinha o mesmo tom. Disse certa vez aos seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta...” (Evangelho segundo João 15:3). Veja que Jesus afirma dois aspectos fundamentais: Ele é a videira e o Pai é o agricultor. É preciso que nossas ações sejam produtos do fato de nossa vida estar alicerçada em Cristo. Em linguagem aristotélica, nossos atos devem ter Jesus como potência. O que resulta em fazer e ensinar o que Jesus fez e ensinou.

Deus – o Pai – deve ser o agricultor. É Ele quem efetua em nós o querer e o realizar (Filipenses 2:13). Nossas ações não devem ser frutos de nossos desejos próprios com suas devidas conveniências. A obra é Dele. A colheita é para Ele. Sendo assim, qualquer vanglória humana não

tem lugar nem sentido. Diante disto, reflita: Tens produzido frutos de arrependimento


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Mas Entre Vós Não é Assim

Por Márcia Regina F. B. Santos

     Jesus estava pronto para cumprir sua missão e, a caminho de Jerusalém, foi revelando a seus discípulos tudo o que iria acontecer. Entretanto, apesar de já estarem andando com Jesus há tanto tempo, eles ainda não conseguiam compreender bem o que Jesus estava dizendo.

A falta de compreensão era tanta que Tiago e João fizeram um pedido que estava completamente fora de contexto. Eles pensavam no aqui e agora. Quantas vezes nós fazemos pedidos a Deus que estão fora de Sua vontade porque não conseguimos compreender Seus planos para as nossas vidas! Entretanto Jesus, amorosamente, como fez com seus discípulos, aproveita essas oportunidades para nos ensinar coisas muito importantes.

O texto diz que Jesus chamou-os para junto de si e disse: “entre vós não é assim”! O fruto do Evangelho em nossas vidas deve ser exatamente esse. Somos diferentes e devemos agir de modo contrário à lógica desse mundo: servir ao invés de ser servido; preferir ser injustiçado e sofrer dano ao invés de entrar em juízo contra um irmão (ICo 6.7); perdoar.

O que vemos hoje é cada um lutando pelo que é seu, seus próprios direitos. Isso não é exatamente errado, mas quando vemos o que Jesus ensinou, entendemos que precisamos antes pensar no próximo. Jesus nos ensina a agir em função do amor que o próprio Deus derramou em nossas vidas. Nosso objetivo maior deve ser abençoar os que estão ao nosso redor.

Como isso é difícil! Mas Jesus, ao caminhar para Jerusalém, ao caminhar para a cruz, queria que seus discípulos, inclusive nós, pudéssemos entender isso.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Atividades x Relações

Por Jonatas Toledo

     Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. (Atos 2:42)

Com quantas pessoas estamos ligados por uma linha de afeto e principalmente no âmbito comunitário, por um sangue que corre na veia da igreja? Atos 2:42 mostra o início da igreja com mais ou menos 3200 pessoas, sendo 3000 novos convertidos, 120 que estavam no pentecoste e mais 80 por minha conta aí. O objetivo não é o número em si, mas sim como desenvolveram o conceito e a experiência de igreja: ensino e comunhão, partir do pão e orações. Três coisas que foram determinantes para o vínculo desses 3000 e os que foram chegando nos capítulos seguintes de Atos conforme o desenrolar da história. Qual o significado de igreja? O que percebo é que na maioria dos âmbitos cristãos a relação foi substituída pela atividade. Ensino e comunhão estão na mesma sentença. Comunhão não é uma reunião de comes e bebes. A realidade é que não existe comunhão sem ensino nem ensino sem comunhão. Se em uma reunião não houve ensino/ aprendizado, a comunhão não terá valor algum e se tornará apenas uma atividade. Ensino virou atividade, temos o culto de ensino e não mais o ensino uns aos outros como é o desafio e proposta do evangelho. Temos a reunião de comunhão, ou seja, atividade para tentar promover relação. Temos o partir do pão como atividade e não mais como troca de afetos, suprimento de necessidades uns aos outros, amizade, amor e entrega um ao outro. Temos a reunião de oração, não mais a oração uns aos outros em qualquer lugar como orienta Paulo a Timóteo (I Timóteo 2:8).

E aí quando alguém sai da instituição seja por qualquer razão, perde-se tudo isso. Ele não se atenta mais ao ensino, não tem mais comunhão, não senta para partir o pão, não ora e não pede oração para ninguém. Por que? Porque eram atividades e não fruto da relação, pois se de fato fosse fruto das relações tal pessoa procuraria outro cristão para ser igreja com ele. Não adianta bater no peito e dizer “sou a igreja” se não há ensino e comunhão, partir do pão e oração com outros pelos quais corre o mesmo sangue, a saber, o sangue de Jesus.

São as relações que deveriam promover as atividades. Por causa do entendimento de igreja que eu tenho a partir do olhar de Jesus, eu me relaciono, mas minha relação não é usurpadora, sugadora, sangue suga. Comungo para ensinar e ser ensinado a fim de que nós sejamos transformados, compartilho de necessidades, tem amor, tem entrega um ao outro, recebo sua oração e tenho certeza que há áreas que você precisa da minha também.

Isso é igreja, pelo menos ela começou assim! Pense nisso.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Bendiga o Senhor a Minha Alma

Por Fernando Coêlho Costa

     Entre os Salmos de Davi, o 103 é a expressão exata do modelo de vida que todo cristão precisa ser. Ele começa com um louvor pessoal (1-5), compara as ações do Pai amoroso com a dos filhos teimosos (6-14), faz um reflexão sobre a brevidade da vida e a eternidade do amor (15-18) e finalmente convoca toda a criação a louvar o Senhor (19-22).

O exercício da memória sobre as bênçãos de Deus deve ser o componente da devoção pessoal, da liturgia do culto e da prática na ‘vida comum’. Recordar que nossos pecados foram perdoados deve ocupar o maior espaço em nossa lembrança. Isso nos ajuda a viver de modo humilde, contrito e ativo no Reino de Deus.

Quando o salmista diz que Deus enche de bens a nossa existência, está afirmando que Deus está presente além dos momentos de êxtase. Ele é o que abençoa a nossa continuidade. Ele é também o que ‘faz justiça e defende a causa dos oprimidos’. Deus se opõe a toda forma de opressão, seja ela política, religiosa ou familiar. Ele também ‘não nos trata conforme os nossos pecados’. Mesmo que venhamos remoer os nossos erros ou dos outros, Ele ‘não fica ressentido para sempre’, pois ‘lembra-se de que somos pó’. Essas razões e lembranças devem penetrar em nossa memória, gerar temor em nosso coração e provocar o reconhecimento do ‘amor leal do Senhor’.

Não são todos os que reconhecem seus benefícios, por isso mesmo o Salmista convoca a bendizê-lo os que ‘obedecem à sua palavra’ e ‘os que cumprem sua vontade’. Ele amplia o ciclo dos adoradores ao dizer ‘bendigam o Senhor todas as suas obras em todos os lugares do seu domínio’ e volta a se convocar ao exercício de bendizer.

Que sejamos participantes no bendizer a Deus e que do início ao fim nossa alma bendiga o Senhor!