quarta-feira, 12 de abril de 2017

Atividades x Relações

Por Jonatas Toledo

     Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. (Atos 2:42)

Com quantas pessoas estamos ligados por uma linha de afeto e principalmente no âmbito comunitário, por um sangue que corre na veia da igreja? Atos 2:42 mostra o início da igreja com mais ou menos 3200 pessoas, sendo 3000 novos convertidos, 120 que estavam no pentecoste e mais 80 por minha conta aí. O objetivo não é o número em si, mas sim como desenvolveram o conceito e a experiência de igreja: ensino e comunhão, partir do pão e orações. Três coisas que foram determinantes para o vínculo desses 3000 e os que foram chegando nos capítulos seguintes de Atos conforme o desenrolar da história. Qual o significado de igreja? O que percebo é que na maioria dos âmbitos cristãos a relação foi substituída pela atividade. Ensino e comunhão estão na mesma sentença. Comunhão não é uma reunião de comes e bebes. A realidade é que não existe comunhão sem ensino nem ensino sem comunhão. Se em uma reunião não houve ensino/ aprendizado, a comunhão não terá valor algum e se tornará apenas uma atividade. Ensino virou atividade, temos o culto de ensino e não mais o ensino uns aos outros como é o desafio e proposta do evangelho. Temos a reunião de comunhão, ou seja, atividade para tentar promover relação. Temos o partir do pão como atividade e não mais como troca de afetos, suprimento de necessidades uns aos outros, amizade, amor e entrega um ao outro. Temos a reunião de oração, não mais a oração uns aos outros em qualquer lugar como orienta Paulo a Timóteo (I Timóteo 2:8).

E aí quando alguém sai da instituição seja por qualquer razão, perde-se tudo isso. Ele não se atenta mais ao ensino, não tem mais comunhão, não senta para partir o pão, não ora e não pede oração para ninguém. Por que? Porque eram atividades e não fruto da relação, pois se de fato fosse fruto das relações tal pessoa procuraria outro cristão para ser igreja com ele. Não adianta bater no peito e dizer “sou a igreja” se não há ensino e comunhão, partir do pão e oração com outros pelos quais corre o mesmo sangue, a saber, o sangue de Jesus.

São as relações que deveriam promover as atividades. Por causa do entendimento de igreja que eu tenho a partir do olhar de Jesus, eu me relaciono, mas minha relação não é usurpadora, sugadora, sangue suga. Comungo para ensinar e ser ensinado a fim de que nós sejamos transformados, compartilho de necessidades, tem amor, tem entrega um ao outro, recebo sua oração e tenho certeza que há áreas que você precisa da minha também.

Isso é igreja, pelo menos ela começou assim! Pense nisso.

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