quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Oração aos Crentes

Por Cleber Alho
     Em 1914, Rui Barbosa, o famoso jurista que já contava mais de 40 anos de exercício do Direito, discursando no Senado Federal proferiu pensamentos que foram aplaudidos com créditos proféticos, cujo peso de verdade ainda faz estremecer quantos o leiam. Seu trecho mais famoso é aquele que lamenta o empalidecimento dos valores da honra dentro da sua (e da nossa) geração.
Ousei fazer sobre esse trecho uma paródia, por ver a tremenda similitude desse discurso com aquele que falta a um observador mais sensível do caráter da Igreja evangélica nesta geração que celebra os 500 anos da Reforma Protestante. Creio que se Rui Barbosa fosse evangélico em nossa geração, ele teria tirado seu discurso do Senado e o verteria para os púlpitos hodiernos nestes termos:

A impureza, crentes, desanima o realizar, a honestidade, o bem; queima no nascedouro os espíritos dos novos crentes; semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão; habitua os novos crentes a não acreditar senão nos sinais, nos talismãs, na superstição, nos sortilégios; promove a desonestidade em busca de prosperidade via pseudo fé; promove a venalidade; promove a relaxação com valores morais eternos; insufla a adulação com nome de adoração, o aviltamento de caráter, sob todas as formas.

De tanto ver triunfar as vaidades espirituais em líderes religiosos, de tanto vê-los prosperar em contraste com a pobreza dos que os patrocinam, de tanto ver crescer a imoralidade, de tanto ver agigantarem-se os enganadores com suas máximas de distorção escriturística, o crente fiel chega a desanimar da santidade, a desistir da piedade, a ter vergonha de ser santo.

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