Por Leví Gabriel Tavares
Para alguns pensadores, foi o dinamarquês Soren Kierkegaard que deu início ao que se chama de Cristianismo pós-institucional. Não apenas em sua crítica quanto a assimilação dos elementos gregos sobre a verdade por parte da igreja e no distanciamento da mesma, em sua visão, da radicalidade do cristianismo primitivo, como inclusive na denúncia contundente para com o estilo de vida do bispo luterano de seu país:
"Perguntaram-me se sou cristão, eu respondi que Jesus não tinha onde repousar a cabeça, mas o bispo da igreja que eu havia feito parte tinha uma casa com quarenta quartos.
Conclui: Se o bispo for cristão então eu não sou".
Nesta mesma esteira, presenciamos no Brasil um número cada vez maior de cristãos que romperam com igrejas por não suportarem mais, segundo boa parte dos relatos, o autoritarismo do clero (que além de querer interferir nos mínimos detalhes da vida do povo, estabelece os próprios salários, quase sempre exorbitantes) e a relativização da Palavra como norteadora da vida da igreja (essa perde espaço, sendo substituída pelas "profetadas", o misticismo e as metodologias de crescimento rápido, obsessão hoje na maioria dos líderes).
Se é verdade que muitos desses cristãos tornaram-se totalmente avessos a igreja, militando avidamente (e de modo insensato) contra qualquer tipo de expressão organizacional, é verdade também que muitos estão dispostos a não apenas resistir tais males, mas acima de tudo construir algo nobre, buscando formas (odres) de se comunicar melhor com a atual geração, formando pontes de relacionamento com outros que também se encontram nesta empreitada, inclusive com igrejas históricas que permanecem comprometidas com os pilares da Reforma.
A REDIL é um exemplo dessa busca, gente que embora resista as situações já apontadas, continua engajada na luta do Reino de Deus. Gente que deseja apenas jogar fora a água suja da banheira, não o bebê.
Assim, oremos para que Deus nos conceda lucidez nesta jornada, criando pontes, solidificando relacionamentos e conservando a essência do evangelho...
Enfim, resistindo os males, mas construindo sempre!
Organização religiosa com responsabilidade de reimaginar as práticas e modelos eclesiais, considerando o esgotamento ético dos evangélicos no Brasil.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
quarta-feira, 26 de julho de 2017
O Evangelho
Por Aleksandro Andrade
(Romanos 1:16)
Esta é uma inquietação que me visitou esta semana e que quero aqui compartilhar nessas poucas linhas.
O que é o Evangelho?
Sabemos do conceito, da origem do termo, porém carecemos de um sentido mais profundo em nossas agendas enquanto cristãos. Haja vista, termos uma capacidade intrínseca de corrompermos o bom e genuíno mundo que Deus criou e chamou de bom. O Evangelho hoje para muitos se coaduna com uma agenda política, com um modo de conceber as relações dinamizado por um discurso ideológico. Para outros, uma agenda religiosa levada a efeito nas instituições. Ainda, para muitos, só mera questão de consciência levada a efeito por um não compromisso com a consciência do outro, só com um "evangelho" da liberalidade de um discurso humanista e quase ou sem nenhuma transcendência.
Enfim, Evangelho é o que somos quando crucificados. E esta tarefa é contínua e crescente. Há muito ainda a dizer e discutir, porém só estou aqui levantando questões que nos façam refletir sobre o que é fundamental, ou seja, o bom e velho evangelho.
(Romanos 1:16)
Esta é uma inquietação que me visitou esta semana e que quero aqui compartilhar nessas poucas linhas.
O que é o Evangelho?
Sabemos do conceito, da origem do termo, porém carecemos de um sentido mais profundo em nossas agendas enquanto cristãos. Haja vista, termos uma capacidade intrínseca de corrompermos o bom e genuíno mundo que Deus criou e chamou de bom. O Evangelho hoje para muitos se coaduna com uma agenda política, com um modo de conceber as relações dinamizado por um discurso ideológico. Para outros, uma agenda religiosa levada a efeito nas instituições. Ainda, para muitos, só mera questão de consciência levada a efeito por um não compromisso com a consciência do outro, só com um "evangelho" da liberalidade de um discurso humanista e quase ou sem nenhuma transcendência.
Enfim, Evangelho é o que somos quando crucificados. E esta tarefa é contínua e crescente. Há muito ainda a dizer e discutir, porém só estou aqui levantando questões que nos façam refletir sobre o que é fundamental, ou seja, o bom e velho evangelho.
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Salvar Alguém Como Eu
Por Cid Mauro de Oliveira
Gravado pelo Grupo Elo, em 1977, consta de um arroubo de reflexão sobre a condição humana. Faz a gente refletir sobre a nossa própria. Supõe, uma vez confirmada a palavra bíblica, que Deus se ocupa, pessoal, intransferível e individualmente com a salvação. Vocação, no mínimo, estranha escolhida pelo Altíssimo para Si mesmo. Sim, porque se imagino Deus ocupado em me amar, caramba, agora num arroubo meu de (falsa) modéstia, surpreende-me se ocupe comigo. Para logo deduzir que, agora sim, tomado por arroubos de Sua divindade, amar-me combina com Ele. Porém, é desconcertante assumir a diversidade desse amor. Porque somos seletivos nessa história de "amor" ao próximo. Não saímos, por aí, amando, ciosos de não queimar nosso filme. Adotamos uma visão "cristã" da coisa, porém não radical. E aí, deparamos Jesus, expressão exata de Deus, refletindo no que é um envolvimento sem acepção (ou assepsia) de pessoas.
Deus ocupar-se em amar todos e cada um. Ele que tudo sabe e tudo perscruta, ainda se faz Espírito para, além de uma vez se ter feito homem, ocupar-se da intenção de estar dentro dos que ama.
Cara, uma vocação dessas, de se envolver, individualmente, com a falência humana é, no mínimo, excêntrica. Imergir no íntimo onde ninguém chega e, se é quando o faz, veste fantasia, impondo máscara. Hipócritas caras de pau nós somos.
Gravado pelo Grupo Elo, em 1977, consta de um arroubo de reflexão sobre a condição humana. Faz a gente refletir sobre a nossa própria. Supõe, uma vez confirmada a palavra bíblica, que Deus se ocupa, pessoal, intransferível e individualmente com a salvação. Vocação, no mínimo, estranha escolhida pelo Altíssimo para Si mesmo. Sim, porque se imagino Deus ocupado em me amar, caramba, agora num arroubo meu de (falsa) modéstia, surpreende-me se ocupe comigo. Para logo deduzir que, agora sim, tomado por arroubos de Sua divindade, amar-me combina com Ele. Porém, é desconcertante assumir a diversidade desse amor. Porque somos seletivos nessa história de "amor" ao próximo. Não saímos, por aí, amando, ciosos de não queimar nosso filme. Adotamos uma visão "cristã" da coisa, porém não radical. E aí, deparamos Jesus, expressão exata de Deus, refletindo no que é um envolvimento sem acepção (ou assepsia) de pessoas.
Deus ocupar-se em amar todos e cada um. Ele que tudo sabe e tudo perscruta, ainda se faz Espírito para, além de uma vez se ter feito homem, ocupar-se da intenção de estar dentro dos que ama.
Cara, uma vocação dessas, de se envolver, individualmente, com a falência humana é, no mínimo, excêntrica. Imergir no íntimo onde ninguém chega e, se é quando o faz, veste fantasia, impondo máscara. Hipócritas caras de pau nós somos.
quarta-feira, 12 de julho de 2017
Como Funciona o Comércio Cristão
Por Rogério Nunes de Lima
Não é mais um artigo sobre os preços exorbitantes que os artistas gospel cobram para cantar em um palco. Vou tocar no assunto do comércio cristão de valores e princípios, inclusive os meus valores e princípios, bem como os seus também.
Em Filipenses 3.7, o apóstolo Paulo diz “o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo”. Paulo estava falando de valores espirituais que ele tinha, tais como ser circuncidado, ser da tribo de Benjamim, fazer parte do seleto grupo de fariseus e liderar uma caçada contra os cristãos. Para ele, tudo isso era importante, até conhecer a Jesus Cristo.
Tenho visto cristãos que defendem valores e princípios com um desespero impressionante. Pior ainda, valores políticos, econômicos, sociais, intelectuais e religiosos. Tais valores são importantes, sem dúvida. Mas quando se conhece a Cristo, todas as coisas se tornam novas. Sim, TODAS as coisas. TODAS. Para ficar bem claro.
Paulo passou a considerar perda aquilo que antes era lucro. Ele não manteve seus valores e princípios. Alguns versículos adiante, ele diz que as coisas que antes eram lucro, ele passou a considerar como cocô. É um comércio que vai totalmente contra o que dizem as teorias econômicas.
O desafio que o Espírito Santo me deu ao ler este texto é detectar coisas que eu considerava preciosas e lucrativas antes de conhecer a Cristo; submetê-las à soberania de Jesus para tornar tudo novo; e considerar tudo como perda por amor a Cristo. É um exercício constante e difícil. É uma jornada longa e cansativa. Mas é algo que precisamos fazer, implica no reconhecimento de que tudo que somos e temos foi conquistado por Cristo. Nada é nosso mérito. Se há algo bom, útil, honroso ou mesmo extraordinário, tudo foi Ele, Dele e para Ele. O lucro e o mérito não me pertencem.
Não é mais um artigo sobre os preços exorbitantes que os artistas gospel cobram para cantar em um palco. Vou tocar no assunto do comércio cristão de valores e princípios, inclusive os meus valores e princípios, bem como os seus também.
Em Filipenses 3.7, o apóstolo Paulo diz “o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo”. Paulo estava falando de valores espirituais que ele tinha, tais como ser circuncidado, ser da tribo de Benjamim, fazer parte do seleto grupo de fariseus e liderar uma caçada contra os cristãos. Para ele, tudo isso era importante, até conhecer a Jesus Cristo.
Tenho visto cristãos que defendem valores e princípios com um desespero impressionante. Pior ainda, valores políticos, econômicos, sociais, intelectuais e religiosos. Tais valores são importantes, sem dúvida. Mas quando se conhece a Cristo, todas as coisas se tornam novas. Sim, TODAS as coisas. TODAS. Para ficar bem claro.
Paulo passou a considerar perda aquilo que antes era lucro. Ele não manteve seus valores e princípios. Alguns versículos adiante, ele diz que as coisas que antes eram lucro, ele passou a considerar como cocô. É um comércio que vai totalmente contra o que dizem as teorias econômicas.
O desafio que o Espírito Santo me deu ao ler este texto é detectar coisas que eu considerava preciosas e lucrativas antes de conhecer a Cristo; submetê-las à soberania de Jesus para tornar tudo novo; e considerar tudo como perda por amor a Cristo. É um exercício constante e difícil. É uma jornada longa e cansativa. Mas é algo que precisamos fazer, implica no reconhecimento de que tudo que somos e temos foi conquistado por Cristo. Nada é nosso mérito. Se há algo bom, útil, honroso ou mesmo extraordinário, tudo foi Ele, Dele e para Ele. O lucro e o mérito não me pertencem.
quarta-feira, 5 de julho de 2017
O Grande Mandamento
Por Adenilson Ribeiro de Olveira
A premissa básica para refletirmos sobre o amor está no fato de Deus nos ter amado primeiro (I Jo 4:19) e ter derramado o seu amor em nossos corações ( Rm 5:5). A nossa tarefa, então, é abrir diques em nós mesmos para deixar esse amor fluir e alcançar os outros (I Jo 4:11).
Fomos feitos para o amor e só podemos nos realizar como pessoas na vivência do amor. Os indícios de realização pessoal de nossa sociedade não são os mesmos do amor. A pessoa que conseguiu acumular recursos financeiros, que construiu um grande patrimônio, etc. é, geralmente, vista como uma pessoa realizada, porém, isso por si só não corresponde à verdade (Lc 12:15).
O Apóstolo João, especialmente na sua I carta, afirma que o amor é o grande mandamento e sua demonstração ao próximo é o grande indicativo de que Deus vive em nós (I Jo 4:7). Para ele o amor é mais do que poesia indo além do conceito e da simples verbalização. O argumento que perpassa toda essa carta é que o amor só se efetiva em ações (I Jo 3:17,18) que, segundo Tiago também indicam a autenticidade da nossa fé (Tg 2:15-18). Amar se aprende amando. Portanto, deve resultar de uma deliberação pessoal.
Geralmente, estamos muito propensos a amar nossos iguais. Amamos nossa família, nossos amigos, nossos irmãos na fé. É bom ter comunhão com eles. Isso nem se discute. Mas, Jesus nos chama a fazermos nosso “próximo” o diferente, o carente, o faminto, os desprezados e até aqueles que se colocam como nossos inimigos (Mt 5:44-48).
O amor ao próximo também não pode ser reduzido àquelas contribuições ou doações eventuais que fazemos para uma entidade filantrópica sem nunca termos visto a face daqueles para quem doamos algo ou algum dinheiro. Isso é bom e necessário. Mas, se só fizermos isso, perderemos a oportunidade de experimentarmos a vida abundante prometida por Jesus e jamais nos realizaremos como pessoas. Segundo Jesus, a nossa felicidade está relacionada ao quanto nos dedicamos para que os outros sejam felizes, especialmente, aqueles efetivamente carentes. É, portanto, ao proporcionarmos felicidade aos outros que também seremos felizes.
A premissa básica para refletirmos sobre o amor está no fato de Deus nos ter amado primeiro (I Jo 4:19) e ter derramado o seu amor em nossos corações ( Rm 5:5). A nossa tarefa, então, é abrir diques em nós mesmos para deixar esse amor fluir e alcançar os outros (I Jo 4:11).
Fomos feitos para o amor e só podemos nos realizar como pessoas na vivência do amor. Os indícios de realização pessoal de nossa sociedade não são os mesmos do amor. A pessoa que conseguiu acumular recursos financeiros, que construiu um grande patrimônio, etc. é, geralmente, vista como uma pessoa realizada, porém, isso por si só não corresponde à verdade (Lc 12:15).
O Apóstolo João, especialmente na sua I carta, afirma que o amor é o grande mandamento e sua demonstração ao próximo é o grande indicativo de que Deus vive em nós (I Jo 4:7). Para ele o amor é mais do que poesia indo além do conceito e da simples verbalização. O argumento que perpassa toda essa carta é que o amor só se efetiva em ações (I Jo 3:17,18) que, segundo Tiago também indicam a autenticidade da nossa fé (Tg 2:15-18). Amar se aprende amando. Portanto, deve resultar de uma deliberação pessoal.
Geralmente, estamos muito propensos a amar nossos iguais. Amamos nossa família, nossos amigos, nossos irmãos na fé. É bom ter comunhão com eles. Isso nem se discute. Mas, Jesus nos chama a fazermos nosso “próximo” o diferente, o carente, o faminto, os desprezados e até aqueles que se colocam como nossos inimigos (Mt 5:44-48).
O amor ao próximo também não pode ser reduzido àquelas contribuições ou doações eventuais que fazemos para uma entidade filantrópica sem nunca termos visto a face daqueles para quem doamos algo ou algum dinheiro. Isso é bom e necessário. Mas, se só fizermos isso, perderemos a oportunidade de experimentarmos a vida abundante prometida por Jesus e jamais nos realizaremos como pessoas. Segundo Jesus, a nossa felicidade está relacionada ao quanto nos dedicamos para que os outros sejam felizes, especialmente, aqueles efetivamente carentes. É, portanto, ao proporcionarmos felicidade aos outros que também seremos felizes.
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