quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Cristo ou César

Por Oswaldo D. Junior
     Um estudioso do Novo Testamento chamado Mark Keow aponta numa profunda análise do livro de Filipenses o quanto os cristãos devem ser definidos pelo evangelho e não pelos valores seculares que a cultura (independente do contexto que estiverem) tenta lhes impor; e isso porque a cidade de Filipos vivia sob o domínio romano, focada nos valores romanos, modelada efetivamente e auto conscientemente procurando ser uma “mini-Roma”. Então o apóstolo Paulo ensina e modela os cristãos desta cidade em relação ao que deve realmente dirigir a vida espiritual deles, mostrando que o choque maior destas visões contrárias está na pessoa central, a quem os romanos chamavam de “patrono” [“patronus”/benfeitor] no caso o César (título dado ao imperador de Roma) ou Cristo Jesus.

Em Filipenses, é Jesus quem é Salvador e Senhor, em vez de César, com quem estes termos foram regularmente associados. Jesus é o patrono dos cristãos filipenses, Ele é seu protetor que irá intervir e entregar, curar e sustentar no sofrimento. Ele é o chefe da força militar (soldados cristãos) que operam com os valores do reino e não o poder militar. Ele reina no amor e não na força. Sua obediência à morte é a salvação dos filipenses e seu exemplo de como viver em um mundo obcecado com o poder. Ele renunciou ao status glorioso, preferindo se esvaziar, e Se tornar um “doulos” (o escravo mais baixo), para servir a humanidade. Este padrão de poder através do amor e do serviço, e não a força política ou militar, sustenta o padrão de Cristo e os exemplos positivos derramados através da carta. Os crentes devem se apegar a este Cristo, não se desviando para as noções romanas de materialismo e libertinagem. Conhecendo mais ao Cristo, ser encontrado nEle, e acreditar nEle, salva.

Desafiando Roma e seus valores, investindo na transformação que o evangelho irradia, encorajando os “micro-romanos” filipenses a viverem confiando no verdadeiro César (imperador), Jesus Cristo nosso Senhor.

NEle, Amém


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Problema x Esperança

Por Joice Loureiro Paes
     Diante do quadro que se encontra nosso país, senão estivermos firmes em Jesus, que é nossa rocha, desanimamos, entramos em depressão, prostramo-nos e perdemos a esperança. Uma pessoa esperançosa tem motivação para viver, elabora projetos de vida, sonha, luta, sempre acreditando que alcançará vitórias. E nunca se esquecendo de que nossa esperança maior não está nesta terra, nosso alvo supremo é Jesus, e com ele o céu, a Nova Jerusalém. O céu é um lugar maravilhoso onde não há tristeza e nem dor.

O povo de Deus deve se conscientizar que estamos de passagem neste mundo, mundo tenebroso que jaz no maligno, como nos ensina a Palavra de Deus em 1ª João 5:19. Perdemos muito tempo precioso em busca das coisas terrenas que nos proporcionam prazeres momentâneos. “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça e nem ferrugem corroem, onde ladrões não escavam, nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” Mat 6:19-21.

Nosso maior investimento deve ser dedicando toda nossa vida a Deus, amando-o sobre tudo e buscando as coisas lá do alto, conforme Col 3:1,2. E obedecendo a ordem de Jesus conquistando almas para seu Reino. Devemos permanecer firmes ainda que a figueira não floresça, como diz Habacuque (3:17); apesar de grande parte do rebanho evangélico estar se afastando cada vez mais do verdadeiro evangelho de Cristo, apesar dos nossos representantes e de nossa lamentável condição política e social, a despeito da pressão diária das lutas, nós devemos nos alegrar no Senhor. E descansar, como manda o Salmo 37:7, lançando sobre Ele toda a nossa ansiedade porque Ele tem cuidado de nós (1ª Pe 5:7).

Podemos vencer todas as batalhas permanecendo firmes no Senhor. Ele é nossa esperança, sem Ele nada podemos fazer. Quanto às crises e percalços governamentais que nos abalam, devemos, como cristãos, orar sempre por nossas autoridades, como diz 1ª Tim 2:1,2.

Que o Senhor nos ajude a sermos servos autênticos e vivamos a Palavra ainda que num mundo distante de Deus.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Oração aos Crentes

Por Cleber Alho
     Em 1914, Rui Barbosa, o famoso jurista que já contava mais de 40 anos de exercício do Direito, discursando no Senado Federal proferiu pensamentos que foram aplaudidos com créditos proféticos, cujo peso de verdade ainda faz estremecer quantos o leiam. Seu trecho mais famoso é aquele que lamenta o empalidecimento dos valores da honra dentro da sua (e da nossa) geração.
Ousei fazer sobre esse trecho uma paródia, por ver a tremenda similitude desse discurso com aquele que falta a um observador mais sensível do caráter da Igreja evangélica nesta geração que celebra os 500 anos da Reforma Protestante. Creio que se Rui Barbosa fosse evangélico em nossa geração, ele teria tirado seu discurso do Senado e o verteria para os púlpitos hodiernos nestes termos:

A impureza, crentes, desanima o realizar, a honestidade, o bem; queima no nascedouro os espíritos dos novos crentes; semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão; habitua os novos crentes a não acreditar senão nos sinais, nos talismãs, na superstição, nos sortilégios; promove a desonestidade em busca de prosperidade via pseudo fé; promove a venalidade; promove a relaxação com valores morais eternos; insufla a adulação com nome de adoração, o aviltamento de caráter, sob todas as formas.

De tanto ver triunfar as vaidades espirituais em líderes religiosos, de tanto vê-los prosperar em contraste com a pobreza dos que os patrocinam, de tanto ver crescer a imoralidade, de tanto ver agigantarem-se os enganadores com suas máximas de distorção escriturística, o crente fiel chega a desanimar da santidade, a desistir da piedade, a ter vergonha de ser santo.