Por Igor Eduardo Nunes
A sociedade atual venera a imagem. Tudo tem a ver com a embalagem ou com o modo de exposição do produto e até mesmo das pessoas. O padrão social valorizado é de homens e mulheres perfeitos, inteligentes e vigorosos. Distante deste padrão imagético, a pessoa pode ser descartável, marginalizada e incapaz. Assim, aqueles que passam pelas dores e sofrimentos da vida devem administrar seus dramas interiores e todo um processo de indignação social que ridiculariza nossa maneira de pensar e orar. Nossas convicções parecem fora de moda, desnecessárias. Quando nos despimos dos padrões imaginários percebemos que mesmo em meio à dor, à fragilidade e à angústia há gente conseguindo fazer uma conexão entre o sofrimento humano – ou seja: seu próprio sofrimento – e o sofrimento de Deus, em Cristo. Podemos ver Deus sofrendo por nós. Essas pessoas, assim como Paulo, me ajudam ver o caminho através do sofrer, sem negá-lo, mas vivendo integralmente no meio dele.
Todos sofremos dores e perdas, o que muda é a maneira de encará-las. Podemos tentar negá-las ou podemos desenvolver ressentimentos e amarguras, ou ainda, podemos fazer as seguintes perguntas e enfrentá-las: “O que me aconteceu pode servir para me alertar a viver de uma nova maneira? Será esta uma oportunidade de conquistar algo novo? De fazer com que minha provação sirva de testemunho e inspiração a outros?”. Somos chamados a perceber o Espírito Santo trabalhando em nós e através de nós, mesmo nas noites mais escuras de nossas almas. Somos convidados a escolher a vida. Um caminho para entender o sofrimento é deixar de nos rebelar contra os inconvenientes e as dores da vida. A minha tendência de lamuriar e negar o sofrimento diminui quando aprendo que Deus o usa para me moldar e me atrair para mais perto de si. Deixarei de ver minhas dores como interrupções dos meus planos e serei mais capaz de vê-las como meios de Deus me fazer pronto a recebê-lo. Assim entendo o sentimento paradoxal do Ap. Paulo, e assim aprendo a pregar, orar e viver: “Eu me alegro também com as fraquezas, os insultos, os sofrimentos, as perseguições e as dificuldades pelos quais passo por causa de Cristo. Porque, quando perco toda a minha força, então tenho a força de Cristo em mim.” (2 Co 12:10).
Pastoral Redil 30/01/17

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