quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Rebelião dos Marginais

Por Rogério Nunes de Lima
      A crise na segurança pública brasileira ficou bem clara a todos nas últimas semanas. Presidiários sendo degolados, fugas em massa e, principalmente, após a greve dos policiais militares no estado do Espírito Santo, um arrastão generalizado. A ausência do Estado foi sentida. Os marginais tomaram conta de tudo.
      Jesus andava entre marginais. Houve uma época em que a Igreja fazia parte dos marginais. Mas o conforto de estar a favor da correnteza fez com que a maioria dos cristãos deixasse para trás seu chamado aos presos, aos famintos, aos sedentos, ao nus, enfim, aos mais pobres entre os pobres. Pior do que isso, uma parcela crescente dos cristãos prega a eliminação destes marginais da sociedade. Brennan Menning diz que “o Evangelho é o anúncio de que o Deus Altíssimo, criador dos céus e da terra, ama apaixonadamente a humanidade perdida e confusa”. Ele fez uma paráfrase de João 3:16, a afirmação de que Deus amou o mundo. Isso mesmo, o mundo.
      Será que, no futuro, as pessoas sentirão a ausência da Igreja como sentimos a ausência do Estado nestes dias? Será que estas rebeliões também não são o retrato desta ausência cristã entre os marginais? Será que toda rebelião que vimos nos últimos dias não é um grito por amor, por justiça e por Deus? O que tanto desejamos para o povo brasileiro só acontecerá quando os marginais se rebelarem contra o pecado, contra as obras espirituais da maldade e contra os desejos egoístas que perseguem a Igreja tão de perto. Mas não se iluda. O principal marginal a ser alcançado mora dentro de cada um de nós.

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